Os rios são as artérias do planeta. É preciso que eles corram livres e limpos, para garantir a todos o sagrado direito à água, essência da vida. Em nome de que estamos ferindo mortalmente nossos rios e comprometendo tão seriamente o nosso futuro?

A Água em Números

70% de todo recurso hídrico consumido no mundo é usado pela agricultura.
2/3 da superfície do planeta é coberta por água.
1,6 bilhão de pessoas vivem em regiões que sofrem com escassez absoluta de água pelo menos uma vez por ano.
Em todo o mundo, cerca de três em cada dez pessoas - em um total de 2,1 bilhões - não têm acesso a água potável em casa.
No total, 783 milhões de pessoas (11% da população mundial) ainda não têm acesso à água potável no mundo. Destas, 119 milhões moram na China e 97 milhões vivem na Índia.
Até 2030, 40% das reservas hídricas do planeta podem evaporar.
Em 2025, 60% da população mundial sofrerá os efeitos da seca.
Todos os anos, 3,5 milhões de pessoas morrem no mundo por problemas relacionados ao fornecimento inadequado da água, à falta de saneamento e à ausência de políticas de higiene, segundo a ONU.
A cada 20 segundos, uma criança morre de doenças relacionadas à má qualidade da água e à falta de saneamento básico. Por ano, são 1,5 milhão.
O Brasil é o país com a maior reserva de água doce do mundo, com 6.950 km³, ou 20% do total. Algo como 43.000 m³ por pessoa.
O país detém 60% da Bacia Amazônica, por onde escoa cerca de 1/5 do volume de água doce do mundo.
Recentemente foi descoberto no Brasil o Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), o maior do mundo, com reservas estimadas em 162 mil km³. Segundo a Universidade Federal do Pará, isso seria o suficiente para abastecer a população atual do mundo, 7 bilhões de pessoas, por 250 anos.
O Sistema Aquífero Guarani (SAG), que o Brasil divide com Argentina, Uruguai e Paraguai tem 1,2 milhão km² de extensão. Dessa área, 840 mil km² ficam em território brasileiro. O reservatório pode ter um volume de até 40 mil km³ de água entre suas rochas, o equivalente a 16 bilhões de piscinas olímpicas ou 100 anos de fluxo do Rio Paraná, o segundo maior do Brasil, com 3.942 km de extensão.
O crescimento em larga escala da produção de bens consumo pode aumentar o uso de água nas indústrias em até 400% até 2050.
15.400 litros: este é, em média, o volume de água necessário para produzir 1 kg de carne bovina no mundo.
45 milhões de piscinas olímpicas, ou 112 trilhões de litros de água doce: o Brasil usa tudo isso para produzir as commodities agropecuárias que exporta, como soja, café, açúcar e carne. Segundo o Unesco, o país é o quarto maior exportador de “água virtual” do mundo, perdendo só para os EUA, China e Índia.
70% de todo recurso hídrico consumido no mundo é usado pela agricultura.
73% a 76% da água doce no Brasil é destinada à agricultura. 60% a 80% é perdido por evaporação na irrigação.
Em Israel, o índice de perdas de água tratada é 9%; Brasil, de 37%. O Brasil quer reduzir este número para 30% até 2030; Israel, para 5% no mesmo período.
Hidrelétricas em rios respondem por mais de 60% da matriz energética do Brasil. Só na Bacia do Amazonas, existem 140 barragens em funcionamento ou em construção, e outras 428 estão planejadas.
No Rio Madeira, um dos principais afluentes do Amazonas, onde funcionam as usinas de Jirau e Santo Antônio, vivem cerca de mil espécies de peixes, o triplo do que em todos os rios da Europa.
A construção da Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, afetou 12 Terras Indígenas. Sua construção provocou o deslocamento de mais de 30 mil pessoas. Seu reservatório alagou 516 km² de floresta, uma área maior de 100 km² do que a Baía de Guanabara.
Cerca de 80 barragens foram construídas no Brasil nos anos 2000, desalojando entre 150 mil e 240 mil pessoas.
Hoje, planeja-se construir 43 grandes hidrelétricas (UHEs) e centenas de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) por toda a Bacia do Tapajós, da qual fazem parte os rios Juruena e Teles Pires. Cerca de 890 mil pessoas serão diretamente impactadas pelos projetos.
O Brasil despeja em seus rios o equivalente a 2 mil piscinas olímpicas de esgoto in natura por dia.
A imensa maioria dos municípios brasileiros (81%) joga metade dos dejetos que produzem em cursos d'água, sem nenhum tratamento. No Rio de Janeiro, a segunda maior cidade do país, são quase 70%.
O Brasil tem hoje aproximadamente 83 mil km de extensão de rios considerados mortos - o que equivale à soma da extensão dos 17 maiores do mundo.
Em 5 de novembro de 2015, o Rio Doce foi vítima do maior desastre ambiental do país, o rompimento da barragem do Fundão, da Samarco/Vale/BHP, em Mariana, Minas Gerais. Além de esterilizá-lo, os 62 milhões m³ de dejetos tóxicos penetram 3 km mar adentro e 10 km na costa, atingindo uma área de 83.400 km².

Em Nome de Quê?

A campanha “Em Nome de Quê” tem como objetivo despertar a atenção e mobilizar os brasileiros em relação às ameaças que representam as intervenções em nascentes, mananciais e rios, com foco no lucro, desconsideração dos direitos dos povos tradicionais, desrespeito ao meio ambiente e visão que não leva em conta as futuras gerações. “Em Nome de Quê” é desenvolvida por Uma Gota no Oceano com o apoio de parceiros e a participação de formadores de opinião e influenciadores sensíveis a essa causa.

Gotas de Informação

Para participar da campanha "Em nome de quê?", deixe aqui seu e-mail e nós avisaremos sobre novas ações.

Saiba Mais

Durante muito tempo, as usinas hidrelétricas foram consideradas a melhor opção como fonte energética, limpa, renovável e confiável. Hoje, sabemos que seus impactos sociais e ambientais as tornam, na prática, insustentáveis. Para a construção do lago de Belo Monte, por exemplo, 500 quilômetros quadrados foram inundados e cerca de 10 mil famílias tiveram que deixar arbitrariamente o local que habitavam, perdendo seu modo de vida, seu pertencimento. O regime de águas foi alterado e a biodiversidade afetada, com ameaças de extinção para fauna e flora. Em nome de quê?

SAIBA MAIS

Apesar de nosso planeta ser, em grande parte, coberto por água, 97% desta está na forma de água salgada nos oceanos e apenas 2,5% é potável.

SAIBA MAIS

Por definição, Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) são usinas de pequeno porte com capacidade instalada superior a 1 MW e inferior a 30 MW e reservatório de, no máximo, 3 km² de área. Seus defensores costumam dizer que provocam impactos ambientais “insignificantes”, se comparados aos de grandes usinas – e, por conta disso, o Brasil tem incentivado financeiramente projetos desse tipo, além de flexibilizar as normas ambientais para sua implantação. A realidade, porém, é outra: pesquisas científicas demonstram que PCHs causam sérios impactos ao meio ambiente e às comunidades de sua região. Se implementadas em conjunto num mesmo rio – como é comum – alguns de seus impactos ambientais podem ser até maiores do que os causados por grandes hidrelétricas.

SAIBA MAIS

Muito antes de o ouro negro levar a instabilidade ao berço da civilização, este líquido bem mais precioso esteve por trás da primeira guerra que se tem registro. Em 2525 a.C., as cidades-estados de Lagash e Umma, na Suméria (atual Iraque), lutaram pelo controle dos rios Tigre e Eufrates. Há 67 anos, a China invadiu o Tibete para ter o domínio sobre os rios que nascem das geleiras do Himalaia, como o Mekong e o Ganges. Mas a água também aparece no ideograma chinês para política; não à toa, ao longo da História foram assinados mais de 3.600 tratados envolvendo os seus uso e posse. É uma guerra que pode ser travada em frentes diversas, inclusive nos campos jurídico e político.

SAIBA MAIS

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as principais atividades responsáveis pela utilização dos recursos hídricos pelo homem são a agricultura e a produção de alimentos (70%), seguidas pela indústria (20%) – o que inclui a geração de energia. Os 10% restantes são gastos através do uso doméstico.

SAIBA MAIS

Os povos indígenas guardam uma relação sagrada com a água. Sua importância sempre esteve clara para eles, assim como para outros povos tradicionais, sendo transmitida como parte de sua sabedoria ancestral, em ritos, costumes, costumes e meios de vida. Algo que parece ser solenemente ignorado pelos ditos civilizados no Brasil. A implantação da Hidrelétrica de Teles Pires, por exemplo, inundou a Cachoeira de Sete Quedas que, para os Munduruku, era o lar da Mãe dos Peixes e dos espíritos de seus antepassados. Algo equivalente a destruir a Basílica do Santo Sepulcro ou o Muro das Lamentações, ou remover a Caaba para passar uma rodovia.

SAIBA MAIS

Galeria

Califórnia

previous arrow
next arrow
Uma Gota no Oceano, em parceria com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), levou a campanha “Em Nome de Quê?” ao Global Climate Action Summit, realizado de 12 a 14 de setembro na Califórnia.
Slider

Entrevistas durante o Fórum Mundial da Água, em Brasília​

Em Nome de Quê?, Uma gota no Oceano, rios, povos indigenas
Em Nome de Quê?, Uma gota no Oceano, rios, povos indigenas
Em Nome de Quê?, Uma gota no Oceano, rios, povos indigenas
Em Nome de Quê?, Uma gota no Oceano, rios, povos indigenas
previous arrow
next arrow
Lideranças indígenas e Antônia Melo, do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, participam de uma roda de conversa no stand da Holanda no durante o Fórum Mundial da Água, em Brasília.
Slider

Lançamento da campanha, no Fórum Mundial da Água, em Brasília​

previous arrow
next arrow
Maria Paula Fidalgo, atriz e conselheira da Uma Gota no Oceano, Giovanni Krenak, Sonia Guajajara e Luiz Henrique Eloy, lideranças indígenas, Maria Paula Fernandes, diretora-executiva Uma Gota no Oceano.
Slider

Fórum Alternativo Mundial da Água, em Brasília​

previous arrow
next arrow
Edigete Nascimento e Brent Millikan (International Rivers), Christian Poirier (Amazon Watch), Maria Paula Fernandes (Gota)
Slider
  • (21) 2025-6616
  • [email protected]
  • Av. das Américas 700 - Bloco 7
    Shopping Cittá América | Barra da Tijuca - RJ
Translate »